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O Lúdico e o Risco

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Simpósio Multidisciplinar sobre acidentes e violência
A principal causa de mortes de crianças e adolescentes até 14 anos é o trauma. A cada ano, 120 mil brasileiros morrem e outros 360 mil sobrevivem com incapacidade física permanente devido a lesões.
Em 1999, as lesões não intencionais resultaram na morte de 7.467 crianças e adolescentes com idade abaixo de 14 anos, sendo que 1.155 na faixa etária de até um ano; 1.955 de 1 a 4 anos (17 % do total de mortes nesta faixa etária); 1.986 de 5 a 9 anos (38% das mortes); e 2.371 de 10 e 14 anos (47 % das mortes).
O Lúdico e o Risco
O Lúdico e o Risco

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, faixa etária abaixo de 14 anos abrange um terço (56.000.000) do total da população brasileira (170.000.000, no ano 2000).
Principais causas da morte por faixa etária:
No grupo de crianças com idade abaixo de 1 ano, a obstrução de vias aéreas é a causa líder de morte, seguida de lesões envolvendo veículos automotores, quedas e queimaduras.
No grupo de crianças com idades entre 1 e 4 anos, lesões envolvendo veículos automotores são a causa líder de morte, seguida de afogamentos, queimaduras e quedas.
No grupo de crianças com idades entre 5 e 14 anos, lesões envolvendo veículos automotores são a causa líder de morte, seguida de afogamentos, quedas, e queimaduras.
As causas de morte relacionadas ao trauma incluem: Lesões Não Intencionais ( pedestres, ocupantes de veículos automotores, ciclistas, afogamentos, obstruções de vias aéreas, queimaduras, quedas, envenenamentos, lesões ocupacionais e domésticas ) e Lesões Intencionais (lesões por arma de fogo, homicídios, abuso e suicídio).
Estima-se que pelo menos 90% dessas lesões podem ser prevenidas da seguinte maneira:
  • Ações educativas;
  • Modificações no meio ambiente;
  • Modificações de engenharia;
  • Criação e cumprimento de legislação e regulamentação específicas
Brinquedo seguro não pode ter:
  • Arestas cortantes
  • Pontas afiadas
  • Material inflamável
  • Voltagem superior a 36 volts
  • Vidros quebráveis
  • Peças pequenas que podem ser engolidas
  • Materiais tóxicos
  • Peças aromatizadas que possam ser confundidas com doces
Fonte: Material enviado por Drº Roberto Avritchir
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As violências na escola se organizam em um mosaico que permite diferenciadas leituras, todas no sentido de enriquecer a compreensão e a intervenção. Muitas práticas lúdicas tradicionalmente pedagogizadas possuem certa probabilidade em desencadear violências e/ou acidentes. Como professores e alunos lidam com esses riscos inerentes a determinada atividade? A questão dos riscos lúdicos em relação aos acidentes e violências foi o recorte predominante no presente texto. Considerando que o jogo é meio de aprendizagem e desenvolvimento da criança, mas é a principal causa de acidentes, é importante questionar se as atividades lúdicas podem ser identificadas como forma de violência ou, também, uma oportunidade para a criança aprender a administrar os riscos. A abordagem sobre os riscos lúdicos na infância se dá no intuito de refletir sobre bem-estar das crianças e o bom uso dos espaços e equipamentos para o exercício de suas ações. Para tratar dessa questão, foi feito um debate multidisciplinar com a literatura sobre as principais causas de acidentes com crianças, finalizando com uma análise sobre a brincadeira de soltar pipas, bem como de sua transformação em violência criminalizada quando do uso de cerol e da possibilidade do trato pedagógico com essa prática. Considera-se que soltar pipa ou qualquer “lazer de risco” não possui em si violência ou periculosidade natural, mas nas suas relações com o tempo e o espaço é que essas práticas se produzem ou reproduzem significados. Portanto, historicamente são passíveis de serem mudadas. No plano da emancipação, com a mediação escolar, o lúdico se potencializa como objeto e meio de educação, embora trabalhar com o lúdico possua seus riscos específicos.

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